sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Aquilo

Estava à toa, olhando para o céu, procurando estrelas inexistentes ao final da tarde.

Batia uma leve brisa naquele rochedo, a qual se tornara um maestro, conduzindo com perfeita sincronia a performance das árvores, arbustos, e pensamentos. Não era de se esperar que todo esse concerto estivesse voltado para mais um na imensa multidão, mas eu estava ali no momento certo, na hora certa.

Numa altura dessas da semana, eu já tinha perdido as esperanças, não havia muita coisa a se fazer. Foi como se uma pantera tropical estivesse por muito tempo resguardada em sua toca, e agora, ela voltara a me perturbar. Mas esse felino não era agressivo, pelo contrário, ele era extremamente educado e gentil, de uma forma controladora, porém involuntária. Aquilo agora voltara intensamente. Fugir? Não adianta, não quero.

O sol agora tomara uma cor mais alaranjada do que antes, chegando ao fim se seu caminho de casa. O cheiro de mata verde agora estava mais forte, fazendo-me ponderar diversas vezes se eu não queria permanecer ali para todo o sempre.

De repente a incerteza me tomou, questionando se fizera tudo da maneira correta, e me afundando num profundo lago de arrependimento. Eu encontrara a culpa. Foi aquilo que me fez passar pelo que passei! Aquilo chega sem bater, e te aniquila.

Mas o sol... Tão poderoso e iluminador, esse sim eu admirava. Agora ele já tinha terminado seu caminho, encontrado algum repouso.

Como num piscar de olhos, eu já estava em outro espaço, debaixo de colchas de veludo, um pouco zonzo e não mais com o tom de surpresa no rosto. O despertador do celular insistia em me tirar da cama, e assim eu o fiz. Eu tinha que seguir com minha vida, mas mesmo assim eu ainda desejava que a luz do sol me orientasse, afugentando aquilo que tanto temia, e ainda temo.

Jonathan Pedreira

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A historinha do menino que teve tudo, e agora...

Fidelzinho era um menino criativo quando pequeno, sempre procurando buscar brincadeiras novas para se divertir com sua turminha. Porém, assim como sua criatividade e esperteza, ele tinha um enorme poder de persuadir todos os seus amiguinhos.

Quando Fidelzinho cresceu, ele começou a aprimorar seus conhecimentos a partir de vários livros que abordavam um tal de socialismo, o qual o deixou totalmente indignado. Nesse meio de insatisfação, Fidelzinho conheceu um companheiro muito importante para sua vida, o Tchezinho, que juntos fizeram a revolução cubana. Porém, Tchezinho era um menininho muito maluquinho, e acharam melhor o nosso Fidelzinho tomar a frente de tudo.

Pelas suas andanças, Fidelzinho também simpatizou muito com a galerinha soviética, que também tinha a mesma opinião sobre a situação que se encontravam. Contudo, essa galerinha tinha uma coisa que Fidelzinho não conseguia ter: os papais da turma eram riquinhos, dentre os quais ajudavam incansavelmente o Fidelzinho mandando, quase todos os dias um porquinho bem grande e cheio.

As coisas estavam indo muito bem para essa turminha, mas aí chegaram a turminha da outra rua, os yankeezinhos, e brigaram por muito tempo com os sovietiquinhos, por muito tempo mesmo, chegando a ter até um probleminha com o Fidelzinho. Fidelzinho adorava ameaçar soltar fogos de são João nos seus vizinhos yankeezinhos, o que deixaram os últimos com muita raivinha, raivinha que dura até hoje.

Essa turma vizinha tinha um defeito crítico: queria a atenção de todo o mundo voltada para eles, eram um pessoal muito briguento, altruísta, e individualista. Chegaram até a construir um clubinho nas terras do Fidelzinho, onde pegavam seus amiguinhos nativos e batiam neles só pra amedrontar o Fidelzinho!

Assim, a turminha dos sovietiquinhos se desfez, deixando o Fidelzinho estagnado junto aos seus amiguinhos da ilha. A partir daí a vida de Fidelzinho ficou sem graça, vendo ele junto aos seus amiguinhos sem dinheiro, com carrinhos de brinquedo antigos, vivendo em favelazinhas, e com muito medo de afrontá-lo. O Fidelzinho já ficara a algum tempo sem sua criatividade característica, que ao seu final de vida só pensava em brincar de bola e de médico.

Muitos dos ainda amigos do Fidelzinho quiseram sair de sua ilha para conhecer como era o mundo afora, mas o Fidelzinho era um garoto muito ciumento, e não queria que seus amigos saíssem de debaixo de suas azas.

E assim ficou a ilhazinha do Fidelzinho, inerte quanto ao desenvolvimento e fechada para o mundo, imersa no isolamento e na tristeza de seus amigos, nunca mais tendo o Fidelzinho de outrora.


Jonathan Pedreira

sábado, 24 de novembro de 2007

Petróleo, fonte de vida!

Ele é o líquido vital para a nossa sociedade, base das nossas atividades do dia-a-dia, de suma importância para a manutenção da vida na Terra. Por acaso seria a água? Que nada, deixemos essa para depois. Estamos falando do Petróleo!

Semana passada, na capa dos principais jornais do país estava estampada a grande notícia da vez: Petrobrás descobre grande poço de petróleo. Daí foi um bombardeio do assunto na imprensa, curiosamente seguido de uma possível crise energética. Quem sabe...

Não seria apenas coincidência o governo declarar a descoberta do novo poço na Bacia de Campos, implicitamente com o objetivo de acalmar os ânimos do povo brasileiro? Quem sabe...

O governo está atônico diante da situação, que segundo o Ministério de Minas e Energias, ficaremos à frente no campo energético. Acredita-se que esse novo poço será usado como um dos trunfos para uma possível volta do barbudo à presidência.

Ações da Petrobrás subiram escandalosamente após o anúncio, totalizando cerca de 30%. No panorama nacional, o Brasil ascendeu em termos econômicos, porém ainda não temos tecnologia suficiente para usufruir de todo esse petróleo, apesar de nossa estatal ser a pioneira em extração em águas profundas.

Pense comigo: com toda essa renda que o petróleo gerará, não abriria uma nova brecha para possíveis caixa dois? Quem sabe...

Como diria um velho pensador, “há bens que vêm para o mau”. Vamos esperar para ver

se o ditado será mantido, ou esse velho pensador terá que rever seus conceitos. Quem sabe...

Jonathan Pedreira

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Efeito Borboleta

Nesses loucos tempos atuais, virou costume das ditas melhores famílias da sociedade, todos fazerem suas refeições diárias reunidos em volta do televisor. Muito além do costume, de forma vergonhosa nessa própria televisão, virou rotina ouvir manchetes nos telejornais de renome que, a cada dia vêm alertando o fim dos tempos.

Na pauta de violência, que se acomodou num certo modismo nas rodas de debate, o Rio de Janeiro se tornou sinônimo de caos, por meio de interpretações de inúmeras reportagens, que através dessas lança-se à maioria essa idéia de “inferno terreno”.

Se conseguíssemos parar um pouco e tentar avaliar a situação, refletir sobre todo o movimento, talvez nos encontraríamos atordoados por saber que não é só “lá fora” que tudo isso ocorre.

Acontece também com o filho da vizinha ao lado, que andando tranquilamente pela orla da cidade, foi surpreendida por cinco crianças, cada uma com arma em punho.Acontece também com a prima Maria, ameaçada de morte por ter denunciado um esquema de corrupção na repartição onde trabalha.Acontece ali pertinho, na esquina defronte onde você todo dia repousa sua cabeça no travesseiro à noite, se achando em segurança.

É chato quando tudo isso vai á tona em seu próprio mundo, se tornando episódios banais, indo de encontro ao ideal de sociedade proposto. Até quando podemos nos iludir a tal ponto?

“Jovem entra em cinema com arma automática e mata vinte pessoas a sangue frio”, é o que soa a manchete do Jornal Nacional de hoje. Toda essa família feliz pára, olha por segundos e imediatamente volta a se servir de um belo filé com batatas, em perfeita tranqüilidade.

Jonathan Pedreira

Olá pessoal, finalmente nós decidimos os dias certo para as colunas. Eu irei sempre postar nas sextas-feiras. Escolhi esse texto em especial pra abrir os olhos de quem ta dormindo em saber da realidade do seu mundo. Busquei inspiração do filme “Hotel Ruanda”, que retrata o descaso da população mundial perante a violência da guerra civil de Ruanda. Recomendo que o assistam, é muito bom. Até mais!




domingo, 23 de setembro de 2007

Práticas Circenses

Alegria pessoal! É época de eleição, lá vem a agitação desse período, que toma o bairro num lugar movimentado, enfeitado com as “bonitas” faces dos representantes do povo, homens de boa índole, quase santificados.

A Dona Zinha da esquina conta os dias para a visita da estrela principal de todo esse movimento, esperando ser reconhecida por seus familiares e amigos nas transmissões que as emissoras sempre fazem, dos populares “showmícios”.

“Acontece a cada dois anos, temos que comer, beber e aproveitar essa animação” fala Seu Zé da peixaria, com bótons e adesivos do seu candidato colados em tudo e todos do estabelecimento.

O popular “jingle” já está na ponta da língua de crianças e adultos, jovens e velhos, meninos e meninas, formando uma única massa democrática, que ao ver do responsável por tudo isso, só existe uma única interpretação: “São meus queridos eleitores!”.

Esse, por sua vez, chegando à comunidade, protegido por um cordão de isolamento e, causando o maior alvoroço, faz questão de abraçar e beijar todas as testas infantis ao seu alcance, como se fosse a última vez que os veria.

De fato é a ultima vez que essa estrela cintilante se encontrará com a plebe desfavorecida, pois passam-se alguns meses, pessoas ficam se perguntando se aquilo tudo aconteceu ou era mero fruto da criatividade, caindo tudo no esquecimento.

De tudo isso, sobraram apenas papéis velhos rolando pelas ruas, com a cara de um desconhecido estampada, já não tão “bonito” quanto antes, com seu incrível sorriso amarelado acompanhado com o gesto de vitória.

Algum tempo depois, passa-se no folhetim televisivo da tarde uma reportagem se tratando de uma navalha descoberta, onde aquela antiga estrela aparece em destaque, fazendo Dona Zinha parar e pensar: “Eu acho que conheço aquele homem...”.

Jonathan Pedreira

Nota - Como é meu primeiro post no site, quero me apresentar a vocês, caros leitores. Eu sou mais um jovem nesse meio em que estamos, já cansado de esperar em cima do muro as coisas melhorarem. Minha coluna será Devaneios ao relento. Espero que gostem!